terça-feira, 29 de julho de 2008

"Os verdadeiros sofredores nunca se matam. Vivem na dolorosa espera de que alguém o faça por eles, movido por uma piedade tão estranha quanto a que sentem por si próprios, ou não estão dipostos a arriscar-se a interromper uma cadeia de sofrimentos que poderá durar ainda mais um tempo e revelar novas e profundas intensidades. Se dizem que não vêem sentido na vida, é por um falso pudor: em verdade, o sofredor por opção e profissão é a criatura mais cheia de certezas quanto ao sentido da vida, que, para ele, é sofrer: sofrer invariável e infinitamente.
O que esse espécime humano simplesmente não compreende é que o apego ao sofrimento é uma paixão estéril, e não um indício de superioridade. Sua “produção intelectual e artística” resume-se ao lamento, ao resmungo, às lágrimas, aos chiliques vingadores, aos gemidos, à devoção tola, ao consumo de drogas (que tem por objetivo a reafirmação da própria miséria quando o efeito se acaba) e a sessões de automortificação da mais variada natureza. De nada adianta citar os exemplos dos grandes poetas de extração romântica: todos eles, os verdadeiramente grandes (porque menos românticos), tiveram uma relação irônica com a própria necessidade de sofrer, e não se pode descartar aí um desejo de causar escândalo pela ostentação da morbidez. Versos como “Amo a majestade dos sofrimentos humanos” (Vigny) e “Despertam-me um desejo absurdo de sofrer” (C. Verde) só são possíveis para quem tem uma visão despudorada do sofrimento e do seu fascínio, para quem ousa subtrair-se um pouco à cegueira masoquista, e não para o tipinho envergonhado e puído que é o sofredor convicto. Este recusa-se a notar a parcela de voluntariedade que há em seu sofrer porque sabe que é justamente isso que o torna mais miserável."(DS)

Mas justamente por isso, quem está dentro do sofrimento não consegue livrar-se, senão não haveria outro motivo para a vida.
Pensando e refletindo muito sobre isso foi que percebi o quanto eu mesma caia em meus próprios erros, a mente aberta que eu tanto cobrei dos fanáticos religiosos não se aplicava a minha própria visão enquanto sofredora institiva. Eu não conseguia ver além das nuvens de sofrimento e pedia para que as pessoas conseguissem analisar a situação em que estavam por outro ângulo, agora percebo que isso é realmente difícil mas ao mesmo tempo prazeroso porque só agora me sinto realmente lúcida e sei que as dificuldades fazem parte do caminho e não são o ponto final.
Só quando se chega ao real fundo do poço é que se pode perceber isso.
É mais que óbvio que eu ainda me sinta triste em certos momentos, o que mudou não foi o sofrimento e sim a forma de vê-lo, agora ele não é o principal ponto da minha vida, é algo a ser vencido ( nossa isto já está ficando com cara de auto-ajuda, mas não é, eu detesto auto ajuda, isto é algo que veio mesmo de dentro do meu ser).

4 comentários:

Anônimo disse...

Olá Ana :-)

Antes do mais quero pedir desculpa pela minha ausência, mas nestas últimas semanas a minha vida tem sido vivida a mil à hora (por diversas razões).

Finalmente hoje começam as minhas férias, um mês de descanso, espero que seja um mês perfeito sob todos os aspectos, em especial de paz interior... a paz que não me acompanhou ao longo do último ano como tu sabes...

Foi um ano replecto de emoções, boas e más... vou descansar um pouco agora... e tb começar a viver... espero eu :-)

Não penses pelo facto de não ter dado notícias que te esqueci, longe disso, muito longe, continuas a ser uma pessoa muito especial para mim... uma pessoa que eu AMO de coração. Que eu guardo no coração.

Espero que estejas bem, porque se o estiveres eu ficarei também muito feliz... tu és uma menina FANTÁSTICA...
a minha indiazinha :-)

Obrigado pelo apoio, carinho e amizade que me tens dado... GOSTO MUITO DE TI...

beijinho

Miguel (o portuga...eheheheh)

fera disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
fera disse...

oi ana meio triste essa postagem , mais acho que sei o que você quis dizer , ou pelo menos você pode me explicar posso ter entedido errado, bj

Anônimo disse...

Amiga!
Que lindo!
...
Sabemos e sentimos isso.
O problema é: Como nos livramos disso?(Parece uma enfermidade crônica!).Eu não quero me fazer de vítima... Mas sei que às vezes ajo assim! Acho que o meu problema é querer que tudo seja fácil e bonito.
Preciso mudar minhas prioridades e aceitar minha natureza humana.
"É fazendo que se descobre como fazer."
Beijos.