sábado, 16 de agosto de 2008

Chove.

Que fiz eu da vida?
Fiz o que ela fez de mim...
De pensada, mal vivida...
Triste de quem é assim!

Numa angústia sem remédio
Tenho febre na alma, e, ao ser,
Tenho saudade, entre o tédio,
Só do que nunca quis ter...

Quem eu pudera ter sido,
Que é dele? Entre ódios pequenos
De mim, estou de mim partido.
Se ao menos chovesse menos!

Fernando Pessoa, 23-10-1931

4 comentários:

fera disse...

bonito poema um pouco triste mais bonito, expressa muita coisa sobre a alma

Anônimo disse...

Quando é que vc deixa de estar deprimida ? Já msão horas de crescer e ser optimista.
Seu amigo
Joaquim

Anônimo disse...

Desde quando crescer é ser otimista, Joaquim?

Ana Alice disse...

Joaquim? quem?


Ahhhhhh sim, estou lembrando, eu tinha mesmo um amigo chamado Joaquim, mas já faz muito, muito tempo. depois de tantos e-mails não respondidos, mensagens e etc tomei por certa a sua morte.
Pensei mesmo que vc tinha morrido e que ninguem tinha me contado.
Mas quem é vivo sempre aparece não é?