quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Soneto 23

Como no palco o ator que é imperfeito
Faz mal o seu papel só por temor,
Ou quem, por ter repleto de ódio o peito
Vê o coração quebrar-se num tremor,

Em mim, por timidez, fica omitido
O rito mais solene da paixão;
E o meu amor eu vejo enfraquecido,
Vergado pela própria dimensão.

Seja meu livro então minha eloqüência,
Arauto mudo do que diz meu peito,
Que implora amor e busca recompensa

Mais que a língua que mais o tenha feito.
Saiba ler o que escreve o amor calado:
Ouvir com os olhos é do amor o fado.

Eu li em um site que esse poema é do William Shakespeare
Mas eu acho que não é não, primeiro porque as rimas estão em português, a tradução não fica assim, está muito perfeitinho, e segundo porque até que é bom só que não é o estilo dele, tem uns clichês e ele não é disso...
Que será?

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