quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O melhor pretexto

É tão frágil a vida,
tão efémero tudo!
(Não é verdade, amiga,
olhinhos-cor-de-musgo?)

E ao mesmo tempo é forte,
forte da veleidade,
de resistir à morte
quanto maior a idade.

Assim, aos trinta e sete,
fechados alguns ciclos,
a vida ainda pede
mais sentimento, vínculos.

Não tanto os que nos deram
a fúria de viver,
como esses descobertos
depois de se saber

Que a vida não é outra
senão a que fazemos
(e a vida é uma só,
pois jamais voltaremos).

Partidários da vida,
melhor: do que está vivo,
digamos «não!» a tudo
que tenha outro sentido.

E que melhor pretexto
(quem o saiba que o diga!)
teremos p'ra viver
senão a própria vida?

Alexandre O'Neill (1924-1986)

PS: para Dani, com carinho.

Um comentário:

Anônimo disse...

Nhó!
Que fofo!
^^,
Beijo!
=*
"É preciso estar atento e forte. Não temos tempo de temer a morte..."